terça-feira, 6 de outubro de 2009





Oriente-Médio


Gibran, o poeta da profundidade


Por Mônica Nasser
Ler Gibran é se permitir aprofundar. Este grande homem deixou sua marca e abriu caminhos para um mergulho nas entranhas da alma humana. Livros, desenhos e pinturas permeiam a estrada deste grande ser. Grande na intensidade, grande nas viagens que suas palavras possibilitam para quem se entrega a sua leitura.

Este é Gibran Khalil Gibran, um poeta, escritor, místico para sentir toda a magnificência da vida e que marcou a história da literatura universal e encantou milhares de leitores com seus pensamentos.
Ele veio ao mundo em 1883, numa pequena cidade do Líbano chamada Bicharri, hoje um importante ponto turístico. Viveu, numa época em que o país passava por contradições e mudanças difíceis, tanta nas questões econômicas como nas injustiças sociais.
A vontade de fazer o Líbano, sua terra natal tão adorada, um país justo e desenvolvido, ficava por muitas vezes exposta em seus livros e pensamentos, muitos escritos ainda na adolescência. Revolucionário, ele fazia críticas sutis aos governantes e poderosos do Líbano, bem como a certas tradições, o que fica claro na obra “Temporais”. Gibran aborda a escravidão nas suas mais variadas formas:
“E há a escravidão muda, que prende o homem a uma esposa que ele detesta e a mulher a um marido que ela odeia”.. “Há a escravidão surda que obriga os indivíduos a seguir os gostos do meio .. até que se tornem como os ecos da voz e a sombra dos corpos”.
A frente do seu tempo, acreditava e defendia o amor na sua plenitude. Consciente da pobreza mental e espiritual do ser humano, por isto mesmo, lutava e com uma arma poderosa, a palavra.
Entre as muitas obras, "O Profeta", que lhe rendeu reconhecimento internacional e deu aos leitores pensamentos que marcaram e ainda marcam suas vidas. Durante o livro o autor coloca o leitor frente a frente com diversos paradoxos da existência do ser humano na Terra.


Em “O Louco”, outra obra de destaque, trás um personagem ignorado por todos da história, e cujas palavras não são ouvidas por ninguém. Talvez o Louco fosse o próprio autor que na tentativa de se esconder escancarava a alma atrás do personagem e expressava suas opiniões; "Todos olham através de alguém para ver outra pessoa".
Gibran falou ao longo de sua trajetória do amor, da paixão, da alegria, do trabalho, da dor e de muitas outras coisas que intrigam e fascinam a humanidade desde seu surgimento. Com doces palavras, falava as verdades mais sublimes e cruéis, deixando no ar toda a sua sabedoria.
Místico por excelência, o autor, como todo sábio que chega perto dos segredos da humanidade e ameaça, foi excomungado da igreja católica em 1908 após ter escrito o livro "Asas Rebeldes". Sabe-se que além da literatura, Gibran também era pintor e desenhista. Um escritor para ser lido com o coração. Com profundo conhecimento moral e espiritual, Gibran é daqueles que atordoa os sedentários da vida.


“O primeiro olhar vindo dos olhos do ser amado é como o espírito que se movia sobre a face das águas e deu origem ao céu e à terra, quando o Senhor sentenciou: "E agora, vivei!"


“É pena que não possam alcançar as estrelas... e ouvir o botão de flores..
É pena que não tenham lábios nas pontas dos seus dedos”


Vossos filhos não são vossos filhos.São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem!


Internacional-Fronteira



Foz do Iguaçu, um ponto de equilíbrio geopolítico

Por Mônica Nasser

Situada na região da Tríplice Fronteira e por isto mesmo singular, Foz do Iguaçu sem dúvida é um local de integração. Acolhedor para mais de 70 etnias-perfil multicultural presente desde a fundação da Colônia Militar do Iguaçu em 1888-, possui também um papel relevante na história do Brasil.
“A cidade esta situada numa das principais áreas de tensão geopolítica da América do Sul (Bacia do Prata), está no centro da estratégia brasileira que garantiu o equilíbrio de forças entre Brasil e Argentina” afirma o especialista e professor do curso de Relações Internacionais da Faculdade Anglo-Americano, Rodrigo Felismino.
Na história da política externa brasileira, a região, desde o século XIX, tinha como objetivo evitar que a Argentina conseguisse manter em sua área de influência países importantes como o Uruguai, o Paraguai e a Bolívia. O objetivo era uma espécie de reedição do Vice-Reinado do Prata. Conseguir este monopólio para a vizinha Argentina significava ter o domínio da rede fluvial platina (eixo Norte-sul).
O objetivo geopolítico era extremamente prejudicial para o Brasil e explica muitas das ações realizadas pelo governo brasileiro na época, entre elas, ser o primeiro país a reconhecer a independência do Paraguai, fato que aproximou os laços entre os dois países, dificultando o domínio de los “hermanos”.
Outra ação importante da diplomacia brasileira na época, foi a atuação no conflito do Uruguai, a chamada Guerra do Prata. Ganham destaque também a fundação da Colônia Militar do Iguaçu em 1888; a própria construção da Ponte Internacional da Amizade, aproximando ainda mais os dois países; a pavimentação da BR-277 ligando Paranaguá a Assunção, no eixo Leste-oeste; a assinatura do convênio internacional que transformou o Porto de Paranaguá em área franca para as exportações e importações paraguaias e, finalmente, a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, com o aumento considerável do contingente populacional.
Para Rodrigo, através dessas ações o Brasil conseguiu inverter o quadro geopolítico da região. “Antes era favorável à Argentina, a mudança trouxe o Paraguai para a esfera de influência brasileira. Na base dessa manobra estratégica está o conceito geopolítico de fronteiras vivas em substituição às fronteiras mortas, áreas de vazios demográficos e econômicos”.
Neste sentido, é possível compreender muito bem o valor e a amplitude da atuação de uma política externa sólida, e que, neste caso ao invés de separar trouxe a noção de integração e cooperação nas fronteiras.
Atualmente segundo o IBGE, Foz tem a maior população das cidades de fronteira do país, somando 311 mil habitantes, o que tem um grande significado. A característica populacional, bem como o grande número de turistas que vem a região atraídos pelos pontos turísticos-Cataratas e Itaipu, sem falar no comércio de Ciudad Del Este-fazem da região fronteiriça um importante papel no processo internacional de circulação de mercadorias e de segurança.
É possível sim verificar muitos pontos positivos nessas características, porém, essas, andam lado a lado com questões não tão agradáveis. Por isto, a necessidade de políticas e olhares mais específicos e direcionados para a região. Análises e soluções que para serem efetivos, devem ser separados de qualquer interesse individual e ideológico, seja ele nacional ou internacional.
“Considerando as atividades ilegais de comércio na fronteira, incluindo o contrabando de armas de fogo e drogas, somadas aos problemas sociais decorrentes da falta de empregos e conflitos políticos, observa-se que faltam políticas consistentes para esta área de fronteira que possui elevado peso na geopolítica brasileira e sul-americana” afirma o especialista Rodrigo Felismino.


Internacional-Mundo
Oriente- Médio


"Todos se preocupam em deter o terrorismo. Bem, há uma maneira realmente simples: parem de participar dele.” Noam Chomsky




Terrorismo, uma arma poderosa

Por Mônica Nasser
Situar os ataques terroristas no contexto da intervenção externa norte-americana ao longo das décadas do pós-guerra - no Vietnã, na América Central, no Oriente Médio e noutros lugares já não é uma novidade para quem tem acesso ao bom e velho jornalismo. Porém na grande mídia as coisas não funcionam dessa maneira.
Anestesiado e pacífico demais, o leitor não consegue identificar a realidade. Exemplos não faltam na história recente e acompanhados como espetáculos midiáticos. A ocupação israelense nos territórios palestinos, a guerra Israel-Líbano em 2006 - que culminou com a morte de milhares de civis libaneses-, e o último ataque perpetrado por Israel de forma desproporcional e discriminatória na Faixa de Gaza.
E o que falar dos genocídios na África do Sul?, assassinatos e extermínios da população afegã e iraquiana? Torturas na prisão de Guantánamo?
E é neste contexto que o termo “terrorismo” merece ser revisto ou mesmo abolido da imprensa. Partindo da premissa de que esse é o exercício da violência contra populações civis, isto, independe do perpetrador. Seja “extremistas islâmicos” ou mesmo o Estado mais poderoso do mundo, é terrorismo.
Seguindo os manuais militares norte-americanos, terror é a utilização calculada, para fins políticos ou religiosos, da violência, da ameaça de violência, da intimidação, da coerção ou do medo. Uma definição aplicada exatamente ao que os Estados Unidos chamaram de “guerra de baixa intensidade”, necessária para a manutenção do imperialismo e status quo norte-americano, embora seja preferível mascarar colocando o foco no “inimigo”.
Para Rafael Mandagaran Gallo, bacharel em Relações Internacionais e Mestre em Sociologia Política, um foco importante foi o estabelecimento da associação do epíteto "terrorismo" à "fundamentalismo islâmico" ou, até mesmo, "Islâmico". “Assim, há o estabelecimento de relações de poder por meio de elementos simbólicos, frente que se traduz como legitimidade para intervenções dos Estados Unidos no Oriente Médio. Coloca-se em contradição todos os valores próprios da cultura política estadounidense, pautado no liberalismo e pragmatismo políticos, em especial o princípio democrático”, afirma.

O terrorismo, sem dúvida foi e ainda é utilizado para justificar em especial depois do 11 de setembro, ações militares estadunidenses. Rastros da chamada “Era Bush” com suas guerras injustificáveis na busca de um inimigo cuja existência é interessante e serve bem em cruciais situações políticas. Com a guerra ao "eixo do mal" as diretrizes da política externa da era Bush filho deixa claro ao mundo sua unilateralidade quando declara que "existem apenas duas escolhas: quem está do lado dos EUA ou quem está contra".

“De fato, a imposição de uma das alternativas à comunidade internacional apresenta muito bem a fragilidade de um discurso apoiado em valores culturais próprios da sociedade estadounidense - a democracia, a excepcionalidade estadounidense, o destino manifesto - frente a uma política externa desenhada para a manutenção de uma hegemonia no sistema internacional, que vem diminuindo, principalmente a dimensão política (convém lembrar a falta de apoio e legitimidade da invasão dos EUA ao Iraque em março de 2003)”, afirma Rafael Mandagaran Gallo.

Para Avram Noam Chomsky, Lingüista, socialista, libertário e ativista político é possível sim fazer uma análise profunda entre poder e terrorismo, título de uma de suas obras. “(...) quando alguém pratica o terrorismo contra nós ou contra nossos aliados, isso é terrorismo, mas, quando nós ou nossos aliados o praticamos contra outros, talvez um terrorismo muito pior, isto não é terrorismo é antiterrorismo ou guerra justa”, alerta. O fato é que não podemos esquecer que as grandes potências mundiais controlam os aparelhos ideológicos e culturais, que permitem que o terror deles, seja visto como uma coisa diferente do terror difundido pela grande mídia.

O terrorismo hoje é uma pauta importante nas Relações Internacionais e desafia a segurança internacional, já que deixou de ser regional para se internacionalizar e assumiu uma visão não apenas nacionalista porém, muito mais perigosa.

O “novo terrorismo” já é uma constante geopolítica. Não é fácil prever quando ou onde ocorrerá uma ação. Com o patrocínio de qual Estado e com que interesses. Em contrapartida o alto custo da proteção fez com que as ações anti-terrorista também se internacionalizem. É importante analisar as motivações e as implicações civilizacionais da ação.
Casos freqüentes do uso desta “arma dos poderosos”, porém ignorados, e não colocados na balança do terrorismo é a Nicarágua, o Haiti e a Guatemala. Apesar de tentarem esconder, a história registrou a intervenção militar dos Estados Unidos e o apoio às atrocidades.
A Colômbia, na década de 90, outro exemplo, foi o principal destinatário da ajuda militar norte-americana, sem falar de Israel e Egito, que constituem casos à parte. Até 1999, logo atrás desse país, o primeiro lugar cabia à Turquia, a quem os Estados Unidos entregaram uma quantidade crescente de armas desde 1984, permitindo a guerra terrorista contra os curdos que teve como resultado: 2 a 3 milhões de refugiados, dezenas de milhares de vítimas, 350 cidades e vilarejos destruídos. Casos de terrorismo mascarado, mais uma vez ignorado pelos grandes veículos de comunicação, cujo papel primordial deveria ser o de esclarecer e não desinformar a população. Uma realidade que quase sempre acontece quando o terror é empregado por seus principais utilizadores: as potências estabelecidas.

Mônica Nasser é jornalista especialista em Geopolítica e Relações Internacionais e graduanda em Relações Internacionais.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009







A primeira vítima da guerra é a verdade!!!!!!!

sábado, 13 de outubro de 2007





Asas Partidas Gibran Khalil Gibran

O homem, embora nasça livre, permanecerá escrevo das leis desumanas legadas por seus antepassados, pois o destino, que imaginamos um segredo superior, nada mais é do que a aberração de nos submetermos nosso dia de hoje aos decretos de nosso ontem, e o dia de amanhã aos decretos de hoje.O amor é a única liberdade neste mundo, porque eleva a alma a alturas além das leis e tradições dos homens e das necessidades e imposições da natureza.O homem compra a glória e a grandeza e a fama; mas é a mulher quem paga o preço.O amor limitado procura a posse do amado. Mas o amor ilimitado nada procura senão a sua própria realização.O coração da mulher não muda com o tempo e não se transforma com as estações. Agoniza longamente, mas não morre.O prisioneiro inocente que pode derrubar as paredes de seu cárcere e não o faz, é um covarde.O amor é a única flor que brota e cresce sem a ajuda das estações.A borboleta que esvoaça em volta da chama até se queimar é mais nobre que a toupeira que vive, segura e descansada, na sua toca escura.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007





Na sombra de um templo, meu amigo me apontou um cego. Meu amigo disse: " Este homem é um sábio". Aproximamos, e perguntei: "desde quando o senhor é cego?" "Desde que nasci". "Eu sou um astrônomo", comentei. "Eu também", o cego respondeu. E, colocando a mão em seu peito, disse: "Passo a vida observando os muitos sóis e estrelas que se movem dentro de mim".
Ninguém pode conviver sozinho com a beleza que é capaz de perceber. E quanto a nós, que buscamos o Absoluto, e que construímos um jardim usando a nossa própria solidão, a Vida nos deixou a imensa paixão para aproveitar cada instante, com toda a intensidade.
Do livro "Cartas de Amor de Gibran"
Cartas de Amor de Gibran (em PDF)

terça-feira, 2 de outubro de 2007









"..Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,
e transmutará teu pó em ouro puro"....